Visitando o BauruBlog, vi o link Olhares de Bauru, assinado por um sobrenome conhecido, Vitor Brumatti e vi uma foto que chamou minha atenção, além da pujança da minha querida Sem Limites, o nome do autor da foto, o meu sobrinho André Timex. Confira mais fotos dele: http://www.flickr.com/photos/fotoandretimex/ O guri tem talento, com certeza vai longe. Boa sorte na carreira escolhida.
Pra falar das coisas do meu querido Brasil, do Mato Grosso do Sul, da minha querida Campo Grande-MS, da minha terra natal, Bauru-SP. Coisas que eu gosto, de esportes, de música, cultura, política, religião, educação, do meu trabalho, de humor, etc.
sábado, 13 de março de 2010
Nossa homenagem ao Glauco
Sempre gostei das tiras do Glauco, do seu humor ácido e irreverente. Criador e autor de inúmeros personagens e tiras bem humoradas, como o Geraldão, Netão, Zé do Apocalipse, Faquinha, etc. Talento de sobra.
No site do Glauco você poderá conhecer melhor seus inumeros personagens e um pouco da sua história, da sua irreverência, da sua busca pelo espiritual. Fica na história do humor nacional. Grande abraço meu irmão, segue teu caminho em paz.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Direitos Humanos violados em Cuba
É de dar nojo, verificar que em pleno século XXI ainda haja presos políticos.
Mais inconcebível ainda é a posição pessoal do Lula, endoçando essa famigerada família Castro.
Não tem diferença nenhuma uma ditadura fascista de direita, de uma dita socialista, são igualmente criminosas.
Nosso Congresso deveria seguir o exemplo do Parlamento Europeu condenando a falta de liberdades individuais daquele país.
E os criminosos ainda se sentem ofendidos.
Mais inconcebível ainda é a posição pessoal do Lula, endoçando essa famigerada família Castro.
Não tem diferença nenhuma uma ditadura fascista de direita, de uma dita socialista, são igualmente criminosas.
Nosso Congresso deveria seguir o exemplo do Parlamento Europeu condenando a falta de liberdades individuais daquele país.
E os criminosos ainda se sentem ofendidos.
Ronaldo
Leia a reportagem publicada pela Radio France Internationale, em 11/03/2010.
O governo de Cuba considerou ofensiva e discriminatória a resolução do Parlamento Europeu condenando a morte de um prisioneiro politico cubano no ultimo dia 23 durante uma greve de fome. Em uma resolução aprovada por 509 eurodeputados, de todas as grandes bancadas políticas, o parlamento europeu condena a morte do prisioneiro político cubano Orlando Zapata, ocorrida no dia 23 de fevereiro passado, ao final de 85 dias de greve de fome.
Referindo-se à morte do prisioneiro como algo desnecessário e cruel, os eurodeputados condenam a situação dos direitos humanos em Cuba e exigem a libertação dos 200 presos políticos ainda detidos na ilha. Os deputados europeus também manifestam preocupação com o estado de saúde do jornalista dissidente Guillermo Farinas, de 48 anos, que iniciou uma greve de fome há 15 dias para exigir a libertação de 26 prisioneiros cubanos com sérios problemas de saúde.
O dissidente se recusa a beber água, o que acelera o processo de desidratação do organismo e põe sua vida em risco. A condenação dos europeus foi repudiada pelo Parlamento cubano. Uma nota da Casa afirma que a resolução europeia é ofensiva e discriminatória. Os parlamentares cubanos dizem que o país é vítima de uma campanha orquestrada por grupos de mídia poderosos, principalmente europeus, que manipula sentimentos, deforma fatos, apresenta mentiras e oculta a realidade, segundo texto do Parlamento cubano divulgado hoje.
Os parlamentares argumentam que não vão ceder à intolerância e às pressões da comunidade internacional contra a ilha. As declarações do presidente Lula, comparando os prisioneiros cubanos a presos em penitenciárias paulista, tiveram repercussão negativa na Europa.
Referindo-se à morte do prisioneiro como algo desnecessário e cruel, os eurodeputados condenam a situação dos direitos humanos em Cuba e exigem a libertação dos 200 presos políticos ainda detidos na ilha. Os deputados europeus também manifestam preocupação com o estado de saúde do jornalista dissidente Guillermo Farinas, de 48 anos, que iniciou uma greve de fome há 15 dias para exigir a libertação de 26 prisioneiros cubanos com sérios problemas de saúde.
O dissidente se recusa a beber água, o que acelera o processo de desidratação do organismo e põe sua vida em risco. A condenação dos europeus foi repudiada pelo Parlamento cubano. Uma nota da Casa afirma que a resolução europeia é ofensiva e discriminatória. Os parlamentares cubanos dizem que o país é vítima de uma campanha orquestrada por grupos de mídia poderosos, principalmente europeus, que manipula sentimentos, deforma fatos, apresenta mentiras e oculta a realidade, segundo texto do Parlamento cubano divulgado hoje.
Os parlamentares argumentam que não vão ceder à intolerância e às pressões da comunidade internacional contra a ilha. As declarações do presidente Lula, comparando os prisioneiros cubanos a presos em penitenciárias paulista, tiveram repercussão negativa na Europa.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Odacir Klein "O Álcool me Causou Ressaca Moral"
Li a entrevista do ex-ministro Odacir Klein à revista Isto É, e queria dizer ao Odacir, que as revelações que faz da sua vida, abordando assunto tão privado, é de muita coragem e também exemplo de solidariedade, para todos aqueles que convivem com entes queridos e si mesmo nessas condições.
O alcoolismo é sorrateiro, e merece cuidados.
O alcoolismo é sorrateiro, e merece cuidados.
Grande abraço Odacir.
Leia a entrevista que ele deu ao Francisco Alves Filho da ISTO É. Vale a pena.
Leia também, no Zero Hora: A vida a limpo - O desabafo de um avô
– Algumas tragédias da minha vida não teriam acontecido se não fosse o álcool. Escrevo para ajudar aqueles que não sabem que precisam de ajuda – pondera.
– Algumas tragédias da minha vida não teriam acontecido se não fosse o álcool. Escrevo para ajudar aqueles que não sabem que precisam de ajuda – pondera.
Chico Xavier - O Filme
Chico Xavier - O Filme estréia nos cinemas no próximo dia 2 de abril, aniversário do centenário de seu nascimento. A expectativa é grande, pois a vida dele, a missão que desempenhou, de promover a difusão do Espiritismo, de trazer consolação a tanta gente, é exemplo de dignidade e de dedicação.
Com certeza vendo o filme, que parece pelo trailer, muito bem elaborado, milhares de pessoas buscarão conhecer melhor a Doutrina Espírita, que foi codificada por Allan Kardec e que teve seu marco inicial com a publicação de "O Livro dos Espíritos" em 18 de abril de 1857 na França.
Mais informações sobre o filme, acesse: http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/
Caso Arruda - Será que se o Governador do DF fosse da base aliada estaria preso?
O Arruda tá preso. Tudo bem. Acho que corrupto deve ir em cana mesmo.
Estão comemorando que o país mudou. Ótimo.
Mas acho que se o Governador do DF fosse da base aliada não haveria sequer mandado de prisão.Lembram, o Mensalão do PT não deu em nada. Os sangue-sugas também não.
Oxalá mude daqui pra frente.
Para que isso ocorra com mais transparência e imparcialidade, é imprescindível uma ampla Reforma Política.
Sou a favor de eleições para o Poder Judiciário e Órgãos da Controladoria, como Tribunais de Contas (Federais, Estaduais e Municipais).
Leia propostas
Situação do Arruda e do Governo do Distrito Federal:
ISTO É: Um governador na prisão
Em decisão histórica, a Justiça decreta a prisão de José Roberto Arruda e o mantém na cadeia. Agora vai decidir quem governará o DF
Agência Brasil: Paulo Octávio busca apoio de Lula e partidos para continuar no governo do DF
Enviado por Andréa Quintiere, sab, 13/02/2010 - 12:37
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM-DF), quer pedir o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para continuar governando. Hoje (13), ao cumprir uma extensa agenda de visita a obras em Brasília, Paulo Octávio disse que tem uma audiência pré-agendada com Lula na próxima quarta-feira (17).
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Por que no te callas?
Esse Chavez é chave de cadeia mesmo.
Esse sujeito imprestável, corrupto, simulacro de socialista, fascista de fato, fazendo campanha pra Dilma.
Ele está destruindo a Venezuela.
Ele está destruindo a Venezuela.
Olha o que ele fala no final.
Marco Aurélio Garcia ataca programação de TV a cabo
Não gosto de muita coisa na televisão, mas me preocupa as posições do "top top" Assessor Presidencial Marco Aurélio Garcia, e coordenador da campanha de Dilma.
Sinto um cheiro chavista bolivariano no ar, chega a ser nauseabundo. Não dá pra aceitar alguem dizer o que posso ver ou não ver.
Saiu no O Globo, notícia publicada em 09/02/2010
de Bernardo Mello Franco
de Bernardo Mello Franco
BRASÍLIA - Escalado para coordenar o programa de governo da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência, o professor Marco Aurélio Garcia anda preocupado com a influência da TV a cabo sobre os corações e mentes dos brasileiros. No sábado, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais discursou sobre o tema em debate na sede nacional do PT. Em meio a discussões sobre política externa, ele surpreendeu com um libelo contra o que chamou de "hegemonia cultural dos Estados Unidos".
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Maneiras
Pô o Zeca é que é o cara!!!!!!!!
Aí tem essa versão do Zeca com o Rappa, também achei muito legal. Confira aí.
Gostou?
QEROCÊ
Olha o Lula Sam aí gente!!!!!!!
Será que vai conseguir enfiar a Dilma goela abaixo da gente?
2010 será muito complicado. Na realidade não quero a Dilma & Cia (leia-se PT e PMDB) por todas as lambanças e falta de ética, por outro lado não quero o Serra & Cia (leia-se PSDB e Demos) pelos mesmos motivos.
Será que dá pra apoiar o Ciro?
Na verdade gostaria de criar um novo Partido.
Convido quem estiver na mesma dúvida a criar o Partido Autonomista. De uma lida nas propostas e se gostar entre em contato conosco.
Sun Tzu
Deparei-me com essa do Sun Tzu.
"A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar"
É muito boa né?
Como a gente pode aplicar isso?
hahahahahhah
Ainda bem que não temos inimigos
hahahahahhah
"A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar"
É muito boa né?
Como a gente pode aplicar isso?
hahahahahhah
Ainda bem que não temos inimigos
hahahahahhah
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Ex-borboleta, o PT chega aos 30 com cara de lagarta
O PT completa três décadas nesta quarta (10). O aniversariante que soprará as velas do bolo não é aquele rebento nascido 30 anos atrás.
Os petistas fingem que não sabem, mas aquele PT de outrora morreu. O atestado de óbito foi emitido por uma legista insuspeita. Chama-se "Evidência".
A causa mortis, informa a responsável pela necropsia foi “suicídio”. Ao chegar ao poder, em 2003, o PT adotara uma conduta estranha, algo psicótica.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Lula diz que fará sucessor para evitar retrocesso
Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 9/2/2010 18:07
publicado no MSN Notícias
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que conseguirá eleger seu sucessor porque há ainda muito a ser feito no Brasil e o país não pode retroceder.
Em discurso durante cerimônia de inauguração de prédios do Campus Avançado do Mucuri, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Teófilo Otoni (MG), Lula disse que não se consegue "resolver tudo em oito anos".
A plateia presente ao evento começou então a gritar o nome da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência da República.
"Eu não posso falar o que vocês estão falando porque a lei não permite, mas podem ficar certos de uma coisa: nós vamos fazer a sucessão nesse país para dar continuidade ao que nós estamos fazendo porque este país não pode retroceder", emendou Lula, tentando evitar desrespeitar a legislação eleitoral, que proíbe a antecipação da campanha.
A legislação prevê o início da campanha eleitoral para julho.
"Este país não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo... nós não vamos parar mais", acrescentou.
Sem mencionar o nome do governador José Serra (PSDB-SP), Lula tem afirmado que a candidatura da oposição, se vencer as eleições de outubro, vai acabar com programas do governo federal, como o PAC, e executar práticas de seu antecessor no cargo.
O tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, que tradicionalmente acompanha o presidente Lula em visitas a Minas, pela segunda vez este ano evitou acompanhá-lo.
Em discurso durante cerimônia de inauguração de prédios do Campus Avançado do Mucuri, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Teófilo Otoni (MG), Lula disse que não se consegue "resolver tudo em oito anos".
A plateia presente ao evento começou então a gritar o nome da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT à Presidência da República.
"Eu não posso falar o que vocês estão falando porque a lei não permite, mas podem ficar certos de uma coisa: nós vamos fazer a sucessão nesse país para dar continuidade ao que nós estamos fazendo porque este país não pode retroceder", emendou Lula, tentando evitar desrespeitar a legislação eleitoral, que proíbe a antecipação da campanha.
A legislação prevê o início da campanha eleitoral para julho.
"Este país não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo... nós não vamos parar mais", acrescentou.
Sem mencionar o nome do governador José Serra (PSDB-SP), Lula tem afirmado que a candidatura da oposição, se vencer as eleições de outubro, vai acabar com programas do governo federal, como o PAC, e executar práticas de seu antecessor no cargo.
O tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, que tradicionalmente acompanha o presidente Lula em visitas a Minas, pela segunda vez este ano evitou acompanhá-lo.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sem medo do passado
Fernando Henrique Cardoso*
publicado no jornal Zero Hora, dia 07 de fevereiro de 2010, edição n° 16239
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
*Ex-presidente da República
O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
*Ex-presidente da República
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Eleições 2010 - relevantes e importantes para a consolidação da democracia no país
Nesse período pré-eleitoral, onde estão sendo alinhavadas as alianças políticas para o embate que se aproxima, vejo com muita clareza a indefinição do PSDB.
Vejam que estou falando em indefinição do Partido e não do Serra. Por que digo isso?
É evidente que, pelo andar da carruagem, o Serra sairá candidato se as pesquisas indicarem a sua liderança indiscutível, pois se não tiver certeza, ele se candidata à uma eleição onde se julga imbatível hoje, a sua reeleição para governador de São Paulo. Isso soa pra mim de forma muito estranha. Qual receio poderia ter uma pessoa como Serra, que é na minha avaliação um vencedor na vida? De perder novamente uma eleição presidencial?
Por que o Partido se permitiu ficar refém da vontade de um candidato a candidato, já que tem no mínimo um outro nome de relevância para a disputa que antevemos acirradíssima? Sim pois considero muito forte o nome do Aécio. No meu entender até mais forte que o do Serra. Eis a questão.
Acho que o PSDB, que não tem nada de democrático, vacilou, deixando um vácuo que poderia ter ocupado desde a sua criação, que fosse exemplo de democracia partidária. Estamos precisando de um grande partido nacional com essa característica essencial.
Um pouquinho de história é necessário para efetuarmos a nossa análise.
Após o PMDB se tornar um balaio de gatos disforme e sem personalidade (até hoje com muita influência no cenário nacional, mesmo com todo o fisiologismo, mesmo com toda a sede de poder), o PSDB surgiu e cresceu, tornou-se relevante na vida nacional, também metendo os pés pelas mãos com privatizações mal formuladas (além da falta da transparência imprescindível) e erros na condução de políticas principalmente na área da educação, privilegiando o desmonte e a falta de democracia na universidade pública. Será que merece nova chance?
O PT cresceu justamente ocupando esse filão, já que os partidos existentes até então nunca oportunizaram aos seus filiados exercerem os seus legítimos direitos de deliberarem democraticamente em assembléias, sempre privilegiando as resoluções de gabinete, a portas fechadas, essa sim a forma de se fazer política no Brasil, razão da péssima avaliação com relação a credibilidade dessas importantes instituições.
Mas esse privilégio o PT perdeu, o de esteio da dignidade e da ética na política brasileira, com tantos desmandos, lambuzando-se no poder, após episódios como o "mensalão" e dos "sangue-sugas das ambulâncias", sempre varridos para debaixo do tapete. Como é possível essa varredura, sempre muito eficiente? Da mesma forma pergunto, será que merece continuar no poder?
A candidata do Lula, sim, pois após impô-la imperialmente ao Partido, sustentado por uma popularidade nunca vista na história desse país, e portanto com autoridade inquestionável nas hostes petistas (que não querem largar o poder - e quem quer?), poderá ser enfiada goela abaixo dos brasileiros, e pelo jeito, tem grande chance desse projeto ser vencedor, pois a oposição está sem rumo, não tem programa nenhum, só vai pensar no caso se em abril o Serra estiver com índices que lhe indiquem caminho livre para o Planalto, sem perigo de ser novamente derrotado por Lula, o grande cabo eleitoral de Dilma.
O que esperar dessas eleições federais de outubro?
De minha parte, gostaria de ver uma oxigenação na política nacional, com debates sobre os grandes problemas a enfrentar. Quais as propostas nas diversas áreas, da saúde, da educação, das cidades, da segurança pública, da justiça, da cultura, da assistência social, da economia, das relações externas, etc? Quais os projetos? Mas será pelo jeito uma disputa onde os dois lados vão tentar jogar os podres uns dos outros, em horário nobre da TV e Rádios e nos portais mais visitados da internet, tudo para que o eleitor possa escolher democraticamente o "menos ruim".
O que considero mais grave, é que essas eleições são relevantes, importantes para a consolidação da democracia no país, hora boa e necessária para a alternância de poder, que considero concentrador demais. Bom, temos também que analisar o fator Ciro, o fator Marina, mas isso deixamos para a próxima.
Ronaldo São Romão Sanches, administrador, eleitor em Campo Grande-MS, e-mail: ronaldo.autonomista@gmail.com
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
O filme do Lula e os dois lados da arquibancada
O artigo foi publicado no Digestivo Cultural, dia 19/01/2010.
Autor: Diogo Salles
Lula, o filho do Brasil. Esse é o nome da polêmica do ano (que mal começou). Já é possível antecipar essa previsão, pois o filme invade não só o debate sobre a produção de cinema nacional (apimentado pela polêmica sobre as leis de incentivo), mas também o debate político. Com orçamento recorde, atmosfera novelesca e elenco global, a película busca mimetizar todos os arquétipos (e feitos) de 2 Filhos de Francisco, se desenhando como a mais controversa cinebiografia já feita por aqui. Feito para emocionar, feito para chorar e, principalmente, feito para vender. Para efeitos cênicos, a discussão sobre o filme é nula, pois não traz nenhuma inovação e não se vende como alta cultura. Sob esse ponto de vista, qualquer crítica fica oca ao analisá-lo sob os mais altos conceitos da sétima arte. Mas como o personagem principal é um presidente ainda em exercício do mandato (e que busca fazer o seu sucessor em ano eleitoral), não há como não analisá-lo sob o aspecto político.
Pode-se argumentar que O filho do Brasil foi feito sem dinheiro público ― o que é verdade ―, mas expõe de maneira grosseira o jogo promíscuo das empresas privadas que patrocinaram o filme, interessadas em adular o governo, com as piores das intenções. O espectador não fica livre nem dos "merchans", como na constrangedora cena em que os personagens pedem uma determinada cerveja, enxertando um slogan que nem existia na época em que o filme se passa. Há de se ressaltar a ótima caracterização do ator que incorporou Lula no filme. Rui Ricardo Diaz reproduz os trejeitos e a voz sem cair na caricatura. E Glória Pires é bastante contida (e por isso mesmo, correta) na interpretação de Dona Lindú, mãe de Lula.
Inicialmente idealizado como uma mistura de documentário com melodrama (vulgo "docudrama"), o diretor Fabio Barreto alterou a rota no meio do caminho e resolveu partir para a ficção, ora omitindo, ora "romanceando" fatos da vida do presidente, para efeitos dramáticos (e mercadológicos). No mais perigoso deles, o episódio em que os sindicalistas jogam o empresário do alto de uma escadaria da fábrica e este morre estatelado no chão, resultando numa histeria coletiva. No livro de Denise Paraná (que serviu de suporte para o filme), Lula "achou que estavam fazendo justiça", compactuando da atitude de seus companheiros. No filme, ele cai em prantos, horrorizado com toda aquela violência ― forjando um Lula humanista e, por isso mesmo, desumanizando-o. Deixando claro que, no filme, a intenção é somente esculpir um mito, tudo o que Lula (supostamente) teria de ruim é empurrado (metaforicamente) para o seu pai, Aristides, interpretado por Milhem Cortaz. Como bônus, entre outras ironias, temos Fabio Barreto e seu pai, Barretão (o Assis Chateaubriand do cinema nacional), admitindo terem sido eleitores de Fernando Henrique Cardoso, incitando ainda mais a (falsa) polêmica entre o ex e o atual presidente e alavancando a promoção do filme.
O ponto mais correto do filme (que se aproxima de um documentário) fica para a formação da figura política de Lula, remontando sua trajetória sindical. Para quem achava que o presidente já abraçava as causas esquerdistas na luta contra a ditadura militar, vai se decepcionar, pois o Lula que aparece naquela época, além de já ser carismático, era também conciliador, extremamente pragmático e apolítico (sim, no sentido ideológico ― procurando ficar alheio às lutas políticas dos anos 60 e 70). Só depois de liderar as greves no sindicato em 1978 é que Lula ficou famoso no país inteiro, e, posteriormente, foi abraçado pela "intelligentsia" de esquerda, que viria a fundar o Partido dos Trabalhadores. No filme, temos um bom retrato da gênese do camaleão político que vemos nos dias de hoje, que gesticula com a mão esquerda e manipula com a direita.
Os detratores acusaram o filme de ser eleitoreiro antes mesmo de ele chegar às telas. Ao que os defensores rebateram argumentando que ele não mostrava a trajetória política do presidente (acaba em 1980, pouco antes da fundação do PT). Ambos os lados têm razão... Em termos. Se o filme não mostra os feitos do governo, não pode ser tido como eleitoreiro, mas o desfecho épico, com imagens de Lula eleito em 2002, nos braços do povo, deixa uma mensagem subliminar de que aquela figura "romanceada" teria mantido todos os valores (que o filme acabara de ensinar) durante os oito anos de mandato. Imagine o que Dona Lindú pensaria se visse seu filho defendendo mensaleiros, abraçando Collor, mancomunando-se com Sarney e toda a alcateia do PMDB...
Mas, como era de se esperar, o problema de O filho do Brasil foi muito além das salas de exibição e dos cadernos e sites de cultura. Quando se tem um líder popular no poder, as reações vão da mais profunda idolatria ao ódio mais rancoroso. De um lado, a classe média ressentida, que se recusa a aceitar o ex-torneiro mecânico no poder. Atacam Lula pelo fato dele não ter estudado e defendem políticos com respeitáveis títulos de doutores (mesmo que seus currículos acadêmicos sejam tão extensos quanto suas fichas criminais). O ódio chega a tal ponto que, se escorregarem numa casca de banana e caírem de bunda no chão, são capazes de colocar a culpa no Lula. Na impossibilidade de arrancá-lo as tripas e vê-lo empalado em praça pública, pegam carona em qualquer bobagem que o presidente fala (e olha que são muitas) para impichá-lo moralmente. Com o filme, encontraram mais uma via para tentar converter seus interlocutores ao antilulismo fanático e oportunista.
Do outro lado, os pitbulls da "esquerda" militante. Empenham-se ― com todo o ódio ― na defesa cega e aguerrida de seu deus. Se já ficavam contrariados em ver uma simples charge no jornal, imagine o que acontece com alguém que resolver criticar o filme do "chefe". Qualquer crítica ou manifestação contrária pode (e deve) ser patrulhada. É aí que aparecem as muletas mais comuns do exército chapa-branca: "preconceito", "mídia", "elitista", "facista" (eles escrevem errado mesmo), "golpista", "direita"... Portanto, cuidado: se os pitbulls estiverem sem suas focinheiras, é bom que você já tenha tomado a sua dose da vacina contra a raiva...
A política, da maneira como é vista no Brasil, mostra uma paupérrima gama de cores: ou é preto ou é branco (a idiotice do debate é tão grande que muitos já insinuariam aqui uma polarização racial). Não existem tons de cinza em nossa palheta. O compromisso partidário não permite ser a favor do Pro-Uni e, ao mesmo tempo, contra o aparelhamento estatal (ou vice-versa). É também proibido elogiar a política de juros do Banco Central e, ao mesmo tempo, reconhecer os feitos do Bolsa Família ― ou criticar os dois, que seja. A discussão sobre as cotas raciais nas universidades, a política externa no caso Honduras e no caso Cesare Battisti... Tudo, absolutamente tudo no Brasil é discutido com uma cartilha ideológica ou partidária debaixo do braço (nem o STF escapa). Muitos não se dão nem ao trabalho de refletir o que está escrito nessas cartilhas, apenas regurgitam tudo o que ali está, de maneira absolutamente acrítica. Aqui, ou se é radicalmente contra ou se é colericamente a favor. De modo personalista e apaixonado, deixamos de reconhecer erros e acertos, para defendermos as resoluções mais descabidas, tudo em nome de identificações meramente pessoais. Quem quiser questionar alguma coisa, não precisa ficar em cima do muro, basta ficar acima do muro. Esse governo não é a soma de todos os medos, como muitos querem acreditar (as diferenças entre Lula e Hugo Chavez são abissais), mas também está muito longe de ser essa maravilha que os adeptos do discurso do "nunca antes nesse país" fazem parecer.
Ambas as frentes (contra e a favor), infiltradas em blogs políticos pretensamente "independentes" e/ou "imparciais", levam a defesa de suas concepções políticas às últimas consequências. O achincalhamento, a difamação, a intolerância e a perseguição implacável de seus "adversários" mostram do que é feita a arte do extremismo político. Num momento em que se tem uma eleição presidencial à frente e que Lula cumpre o seu último ano de mandato, o filme traz à tona os piores sentimentos e preconceitos daqueles que encaram o debate político como uma pancadaria entre torcidas num jogo de futebol. Além de colocar a internet em estado de sítio, o filme retoca a já pesada maquiagem publicitária do presidente, visando a aprovação máxima, a popularidade inatingível, a unanimidade ― uma contradição para um país que se pretende democrático. No país das novelas, pode funcionar como enredo de horário "nobre", mas ao "romancear" a trajetória de um líder político, insinua o culto à personalidade, remodelando-o para o consumo, como uma figura mítica, incorruptível e magnânima. Quem acompanha (mesmo que à distância) o noticiário de Brasília, vê um Lula muito diferente. Assim, O filho do Brasil conseguiu pecar no timing do lançamento, desconstruir um grande roteiro (que já estava escrito) e ainda jogar no lixo a chance de ser tanto rentável comercialmente, quanto elegante no trato com a coisa pública. Uma pena.
Bom, fim de mais um clássico. As torcidas já se armam para mais uma guerra. O pau promete quebrar feio dessa vez...
Lula, o filho do Brasil. Esse é o nome da polêmica do ano (que mal começou). Já é possível antecipar essa previsão, pois o filme invade não só o debate sobre a produção de cinema nacional (apimentado pela polêmica sobre as leis de incentivo), mas também o debate político. Com orçamento recorde, atmosfera novelesca e elenco global, a película busca mimetizar todos os arquétipos (e feitos) de 2 Filhos de Francisco, se desenhando como a mais controversa cinebiografia já feita por aqui. Feito para emocionar, feito para chorar e, principalmente, feito para vender. Para efeitos cênicos, a discussão sobre o filme é nula, pois não traz nenhuma inovação e não se vende como alta cultura. Sob esse ponto de vista, qualquer crítica fica oca ao analisá-lo sob os mais altos conceitos da sétima arte. Mas como o personagem principal é um presidente ainda em exercício do mandato (e que busca fazer o seu sucessor em ano eleitoral), não há como não analisá-lo sob o aspecto político.
Pode-se argumentar que O filho do Brasil foi feito sem dinheiro público ― o que é verdade ―, mas expõe de maneira grosseira o jogo promíscuo das empresas privadas que patrocinaram o filme, interessadas em adular o governo, com as piores das intenções. O espectador não fica livre nem dos "merchans", como na constrangedora cena em que os personagens pedem uma determinada cerveja, enxertando um slogan que nem existia na época em que o filme se passa. Há de se ressaltar a ótima caracterização do ator que incorporou Lula no filme. Rui Ricardo Diaz reproduz os trejeitos e a voz sem cair na caricatura. E Glória Pires é bastante contida (e por isso mesmo, correta) na interpretação de Dona Lindú, mãe de Lula.
Inicialmente idealizado como uma mistura de documentário com melodrama (vulgo "docudrama"), o diretor Fabio Barreto alterou a rota no meio do caminho e resolveu partir para a ficção, ora omitindo, ora "romanceando" fatos da vida do presidente, para efeitos dramáticos (e mercadológicos). No mais perigoso deles, o episódio em que os sindicalistas jogam o empresário do alto de uma escadaria da fábrica e este morre estatelado no chão, resultando numa histeria coletiva. No livro de Denise Paraná (que serviu de suporte para o filme), Lula "achou que estavam fazendo justiça", compactuando da atitude de seus companheiros. No filme, ele cai em prantos, horrorizado com toda aquela violência ― forjando um Lula humanista e, por isso mesmo, desumanizando-o. Deixando claro que, no filme, a intenção é somente esculpir um mito, tudo o que Lula (supostamente) teria de ruim é empurrado (metaforicamente) para o seu pai, Aristides, interpretado por Milhem Cortaz. Como bônus, entre outras ironias, temos Fabio Barreto e seu pai, Barretão (o Assis Chateaubriand do cinema nacional), admitindo terem sido eleitores de Fernando Henrique Cardoso, incitando ainda mais a (falsa) polêmica entre o ex e o atual presidente e alavancando a promoção do filme.
O ponto mais correto do filme (que se aproxima de um documentário) fica para a formação da figura política de Lula, remontando sua trajetória sindical. Para quem achava que o presidente já abraçava as causas esquerdistas na luta contra a ditadura militar, vai se decepcionar, pois o Lula que aparece naquela época, além de já ser carismático, era também conciliador, extremamente pragmático e apolítico (sim, no sentido ideológico ― procurando ficar alheio às lutas políticas dos anos 60 e 70). Só depois de liderar as greves no sindicato em 1978 é que Lula ficou famoso no país inteiro, e, posteriormente, foi abraçado pela "intelligentsia" de esquerda, que viria a fundar o Partido dos Trabalhadores. No filme, temos um bom retrato da gênese do camaleão político que vemos nos dias de hoje, que gesticula com a mão esquerda e manipula com a direita.
Os detratores acusaram o filme de ser eleitoreiro antes mesmo de ele chegar às telas. Ao que os defensores rebateram argumentando que ele não mostrava a trajetória política do presidente (acaba em 1980, pouco antes da fundação do PT). Ambos os lados têm razão... Em termos. Se o filme não mostra os feitos do governo, não pode ser tido como eleitoreiro, mas o desfecho épico, com imagens de Lula eleito em 2002, nos braços do povo, deixa uma mensagem subliminar de que aquela figura "romanceada" teria mantido todos os valores (que o filme acabara de ensinar) durante os oito anos de mandato. Imagine o que Dona Lindú pensaria se visse seu filho defendendo mensaleiros, abraçando Collor, mancomunando-se com Sarney e toda a alcateia do PMDB...
Mas, como era de se esperar, o problema de O filho do Brasil foi muito além das salas de exibição e dos cadernos e sites de cultura. Quando se tem um líder popular no poder, as reações vão da mais profunda idolatria ao ódio mais rancoroso. De um lado, a classe média ressentida, que se recusa a aceitar o ex-torneiro mecânico no poder. Atacam Lula pelo fato dele não ter estudado e defendem políticos com respeitáveis títulos de doutores (mesmo que seus currículos acadêmicos sejam tão extensos quanto suas fichas criminais). O ódio chega a tal ponto que, se escorregarem numa casca de banana e caírem de bunda no chão, são capazes de colocar a culpa no Lula. Na impossibilidade de arrancá-lo as tripas e vê-lo empalado em praça pública, pegam carona em qualquer bobagem que o presidente fala (e olha que são muitas) para impichá-lo moralmente. Com o filme, encontraram mais uma via para tentar converter seus interlocutores ao antilulismo fanático e oportunista.
Do outro lado, os pitbulls da "esquerda" militante. Empenham-se ― com todo o ódio ― na defesa cega e aguerrida de seu deus. Se já ficavam contrariados em ver uma simples charge no jornal, imagine o que acontece com alguém que resolver criticar o filme do "chefe". Qualquer crítica ou manifestação contrária pode (e deve) ser patrulhada. É aí que aparecem as muletas mais comuns do exército chapa-branca: "preconceito", "mídia", "elitista", "facista" (eles escrevem errado mesmo), "golpista", "direita"... Portanto, cuidado: se os pitbulls estiverem sem suas focinheiras, é bom que você já tenha tomado a sua dose da vacina contra a raiva...
A política, da maneira como é vista no Brasil, mostra uma paupérrima gama de cores: ou é preto ou é branco (a idiotice do debate é tão grande que muitos já insinuariam aqui uma polarização racial). Não existem tons de cinza em nossa palheta. O compromisso partidário não permite ser a favor do Pro-Uni e, ao mesmo tempo, contra o aparelhamento estatal (ou vice-versa). É também proibido elogiar a política de juros do Banco Central e, ao mesmo tempo, reconhecer os feitos do Bolsa Família ― ou criticar os dois, que seja. A discussão sobre as cotas raciais nas universidades, a política externa no caso Honduras e no caso Cesare Battisti... Tudo, absolutamente tudo no Brasil é discutido com uma cartilha ideológica ou partidária debaixo do braço (nem o STF escapa). Muitos não se dão nem ao trabalho de refletir o que está escrito nessas cartilhas, apenas regurgitam tudo o que ali está, de maneira absolutamente acrítica. Aqui, ou se é radicalmente contra ou se é colericamente a favor. De modo personalista e apaixonado, deixamos de reconhecer erros e acertos, para defendermos as resoluções mais descabidas, tudo em nome de identificações meramente pessoais. Quem quiser questionar alguma coisa, não precisa ficar em cima do muro, basta ficar acima do muro. Esse governo não é a soma de todos os medos, como muitos querem acreditar (as diferenças entre Lula e Hugo Chavez são abissais), mas também está muito longe de ser essa maravilha que os adeptos do discurso do "nunca antes nesse país" fazem parecer.
Ambas as frentes (contra e a favor), infiltradas em blogs políticos pretensamente "independentes" e/ou "imparciais", levam a defesa de suas concepções políticas às últimas consequências. O achincalhamento, a difamação, a intolerância e a perseguição implacável de seus "adversários" mostram do que é feita a arte do extremismo político. Num momento em que se tem uma eleição presidencial à frente e que Lula cumpre o seu último ano de mandato, o filme traz à tona os piores sentimentos e preconceitos daqueles que encaram o debate político como uma pancadaria entre torcidas num jogo de futebol. Além de colocar a internet em estado de sítio, o filme retoca a já pesada maquiagem publicitária do presidente, visando a aprovação máxima, a popularidade inatingível, a unanimidade ― uma contradição para um país que se pretende democrático. No país das novelas, pode funcionar como enredo de horário "nobre", mas ao "romancear" a trajetória de um líder político, insinua o culto à personalidade, remodelando-o para o consumo, como uma figura mítica, incorruptível e magnânima. Quem acompanha (mesmo que à distância) o noticiário de Brasília, vê um Lula muito diferente. Assim, O filho do Brasil conseguiu pecar no timing do lançamento, desconstruir um grande roteiro (que já estava escrito) e ainda jogar no lixo a chance de ser tanto rentável comercialmente, quanto elegante no trato com a coisa pública. Uma pena.
Bom, fim de mais um clássico. As torcidas já se armam para mais uma guerra. O pau promete quebrar feio dessa vez...
sábado, 23 de janeiro de 2010
Salve-se quem puder.
A legislação eleitoral (erroneamente no meu ponto de vista) não permite propaganda de pré-candidatos, mas permite no caso da Dilma.
A Dilma pode???
Veja que ela está há um bom tempo já em campanha.
No seu Blog tem banners explícitos como candidata a Presidente e não tem um Juiz que tenha coragem de enquadrá-la.
Pergunto:
Será que se fosse o contrário, o PT já não teria aberto fogo contra a campanha de quem quer que fosse?
Não quero dizer com isso que sou contra a Dilma. Eu só queria entender.
A Dilma pode???
Veja que ela está há um bom tempo já em campanha.
No seu Blog tem banners explícitos como candidata a Presidente e não tem um Juiz que tenha coragem de enquadrá-la.
Pergunto:
Será que se fosse o contrário, o PT já não teria aberto fogo contra a campanha de quem quer que fosse?
Não quero dizer com isso que sou contra a Dilma. Eu só queria entender.
Por outro lado, vejo o titubeante Serra, que pra mim já amarelou frente à popularidade do Lula. Será que o Aécio vai encarar?
Por isso a necessidade de ampla REFORMA ELEITORAL.
Por isso a necessidade de ampla REFORMA ELEITORAL.
Mas como já estamos em ano eleitoral, e qualquer mudança agora só serve para o ano seguinte, imagina a bagunça que será, com a ingerência cada vez maior do Poder Executivo no Poder Judiciário.
Salve-se quem puder.
Será que dá?
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Declaração do cônsul do Haiti no Brasil, George Samuel Antoine, sem saber que estava sendo gravado.
Essa entrevista com o Cônsul do Haiti em São Paulo contrasta com o artigo do Mauro Santayana, a respeito da tragédia naquele pobre país.
A tragédia histórica
Publicado no Jornal do Brasil, edição de 14/01/2010
Por Mauro Santayana
René Depestre era meu companheiro na redação internacional da Rádio Havana, em 1965. Tendo vivido no Brasil, onde secretariara Jorge Amado, Depestre juntava vários companheiros para repetir, em crioulo, o estribilho de seu programa dirigido ao Haiti, contra a ditadura de François Duvalier: Divaliê, assassin!. Depestre é hoje um dos nomes mais altos da literatura francesa. Seu longo poema, Arc-en-ciel pour l’Occident chrétien, publicado em 1967, é duro libelo contra o racismo.
As circunstâncias do exílio, de sua estada no Brasil e de meu interesse pela literatura nos aproximaram. Depestre me revelou o grande escritor Jacques Roumain e seu Gouverneurs de la rosée (Governadores do orvalho). Ele e Depestre nasceram na elite haitiana, mas ambos lutaram em favor dos oprimidos. Roumain, um dos fundadores do Partido Comunista do Haiti, era filho de um presidente da República. Ainda menino, viu seu país invadido pelos marines, em 1915, a pretexto de “ação humanitária”. Essa ocupação, que nada resolveu, e manteve os privilegiados, terminou em 1934, quando Roosevelt retirou as tropas, mas continuou “protegendo” o país.
O território ocidental da Ilha de São Domingos, que passou ao domínio francês em 1697, por cessão da Espanha, se transformou em imenso canavial, com a importação de escravos. Durante o século 18, o Haiti (que significa, na língua nativa, terra montanhosa) viu extinta a sua população indígena. Em 1781, dos 556 mil habitantes, 500 mil eram negros, e o resto se formava de mulatos e brancos europeus. A terra, ocupada pela cana e culturas menos importantes, foi arrasada pela exploração colonial, predatória. No início de 1790, animado com a Revolução Francesa, o negro Vincent Ogé chefiou uma insurreição contra os franceses, mas foi capturado, torturado e executado. Toussaint-Louverture retomou o movimento no fim da década, e depois de muita luta venceu as tropas napoleônicas, em 1802. Os franceses, no entanto, traíram o compromisso e o aprisionaram. Louverture morreu em Paris. Finalmente, em 1804, os haitianos obtiveram sua independência, embora só de fachada. Foi o segundo país da América a se tornar formalmente autônomo: o primeiro foram os Estados Unidos.
Não há (provavelmente nem mesmo em algum lugar da África negra) população tão sofredora quanto a do Haiti, nem elite tão brutal. A desigualdade entre ricos e pobres não encontra paralelo no mundo. O país é o de menor PIB do Ocidente e de maior incidência de Aids; exibe a mais alta taxa de mortalidade infantil conhecida, e mais de 80% de sua população vivem na indigência quase absoluta. É um povo que tem todo o direito de exigir reparação histórica do mundo ocidental o que, nestas horas, enfrenta os danos do grande terremoto – o maior que atinge o país, desde o ocorrido em 1751 – há 259 anos. Ele foi arrancado de seu continente natal, a África, pelos colonizadores europeus; mantido na escravidão, até que se revoltou, mas a abolição foi uma mentira. Tem sido submetido, durante os dois últimos séculos, a uma opressão comandada ora por tiranos, ora por governantes dóceis, mas sempre sob controle externo.
“Somos sem sorte, é verdade. Somos miseráveis, é verdade. Você sabe por quê, irmão? Por causa de nossa ignorância. Mas ainda não conhecemos a força que somos. Algum dia, nós nos levantaremos de um lado a outro do país e convocaremos uma assembleia geral dos governadores do orvalho, sairemos todos da pobreza e plantaremos uma nova vida”, disse Roumain, em seu grande livro, em julho de 1944 – um mês antes de morrer, aos 37 anos.
Uma vida nova, que Depestre, em seu forte poema, quer libertada do colonialismo: “Ao diabo, seus pratos insípidos; ao diabo, o vinho branco; ao diabo, a maçã e a pera; ao diabo, todas suas mentiras”.
O terremoto e seus mortos, entre eles a doutora Zilda Arns e os demais brasileiros ali atingidos, podem servir para despertar os remorsos e a solidariedade do mundo – que não deve limitar-se à presença dos soldados da ONU, nem aos donativos de emergência.
Por Mauro Santayana
René Depestre era meu companheiro na redação internacional da Rádio Havana, em 1965. Tendo vivido no Brasil, onde secretariara Jorge Amado, Depestre juntava vários companheiros para repetir, em crioulo, o estribilho de seu programa dirigido ao Haiti, contra a ditadura de François Duvalier: Divaliê, assassin!. Depestre é hoje um dos nomes mais altos da literatura francesa. Seu longo poema, Arc-en-ciel pour l’Occident chrétien, publicado em 1967, é duro libelo contra o racismo.
As circunstâncias do exílio, de sua estada no Brasil e de meu interesse pela literatura nos aproximaram. Depestre me revelou o grande escritor Jacques Roumain e seu Gouverneurs de la rosée (Governadores do orvalho). Ele e Depestre nasceram na elite haitiana, mas ambos lutaram em favor dos oprimidos. Roumain, um dos fundadores do Partido Comunista do Haiti, era filho de um presidente da República. Ainda menino, viu seu país invadido pelos marines, em 1915, a pretexto de “ação humanitária”. Essa ocupação, que nada resolveu, e manteve os privilegiados, terminou em 1934, quando Roosevelt retirou as tropas, mas continuou “protegendo” o país.
O território ocidental da Ilha de São Domingos, que passou ao domínio francês em 1697, por cessão da Espanha, se transformou em imenso canavial, com a importação de escravos. Durante o século 18, o Haiti (que significa, na língua nativa, terra montanhosa) viu extinta a sua população indígena. Em 1781, dos 556 mil habitantes, 500 mil eram negros, e o resto se formava de mulatos e brancos europeus. A terra, ocupada pela cana e culturas menos importantes, foi arrasada pela exploração colonial, predatória. No início de 1790, animado com a Revolução Francesa, o negro Vincent Ogé chefiou uma insurreição contra os franceses, mas foi capturado, torturado e executado. Toussaint-Louverture retomou o movimento no fim da década, e depois de muita luta venceu as tropas napoleônicas, em 1802. Os franceses, no entanto, traíram o compromisso e o aprisionaram. Louverture morreu em Paris. Finalmente, em 1804, os haitianos obtiveram sua independência, embora só de fachada. Foi o segundo país da América a se tornar formalmente autônomo: o primeiro foram os Estados Unidos.
Não há (provavelmente nem mesmo em algum lugar da África negra) população tão sofredora quanto a do Haiti, nem elite tão brutal. A desigualdade entre ricos e pobres não encontra paralelo no mundo. O país é o de menor PIB do Ocidente e de maior incidência de Aids; exibe a mais alta taxa de mortalidade infantil conhecida, e mais de 80% de sua população vivem na indigência quase absoluta. É um povo que tem todo o direito de exigir reparação histórica do mundo ocidental o que, nestas horas, enfrenta os danos do grande terremoto – o maior que atinge o país, desde o ocorrido em 1751 – há 259 anos. Ele foi arrancado de seu continente natal, a África, pelos colonizadores europeus; mantido na escravidão, até que se revoltou, mas a abolição foi uma mentira. Tem sido submetido, durante os dois últimos séculos, a uma opressão comandada ora por tiranos, ora por governantes dóceis, mas sempre sob controle externo.
“Somos sem sorte, é verdade. Somos miseráveis, é verdade. Você sabe por quê, irmão? Por causa de nossa ignorância. Mas ainda não conhecemos a força que somos. Algum dia, nós nos levantaremos de um lado a outro do país e convocaremos uma assembleia geral dos governadores do orvalho, sairemos todos da pobreza e plantaremos uma nova vida”, disse Roumain, em seu grande livro, em julho de 1944 – um mês antes de morrer, aos 37 anos.
Uma vida nova, que Depestre, em seu forte poema, quer libertada do colonialismo: “Ao diabo, seus pratos insípidos; ao diabo, o vinho branco; ao diabo, a maçã e a pera; ao diabo, todas suas mentiras”.
O terremoto e seus mortos, entre eles a doutora Zilda Arns e os demais brasileiros ali atingidos, podem servir para despertar os remorsos e a solidariedade do mundo – que não deve limitar-se à presença dos soldados da ONU, nem aos donativos de emergência.
Assinar:
Postagens (Atom)


