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sábado, 2 de junho de 2012

Caminhada lenta, mas irreversível

Depois de um longo período de "hibernação", tive vontade de escrever e compartilhar sobre o artigo que li da Eliane Brum, jornalista e colunista da Revista Época.
O artigo, intitulado A coluna que (quase) ninguém lê, traz uma abordagem interessante sobre a indiferença da sociedade por temas importantes, mas que damos mínima atenção.
Nos comentários da revista, escrevi, á Eliane: 
"Você aborda dois assuntos diferentes, o ser marginalizado, que vive nas ruas das cidades e a degradação do meio ambiente e a forma de ocupação da floresta, ambos tratados com quase indiferença pela sociedade em geral e pelos legisladores, aqueles que infelizmente na hora de votar, não estamos conseguindo escolher da melhor forma, creio que por falta de consciência da força que o cidadão tem em suas mãos através da oportunidade de escolha dos seus representantes, como também pelo sistema viciado e carente de ampla reforma para aperfeiçoá-lo.
Propulsores de toda essa situação ainda vigente em pleno terceiro milênio são o egoísmo, o orgulho e a ambição.
Caminhamos, ainda que lentamente, mas de forma irreversível, para um futuro isento de desigualdades e violências, movidos pela valorização da fraternidade e do diálogo.
Parabéns pelo trabalho.
Grande abraço."
Todos podem acessar o artigo no link acima, no título do artigo e se quiserem ler outros artigos, acessem todas as colunas da jornalista.
Ótimo final de semana a todos.
Ronaldo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Fala da Professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, sobre a situação do professor, teve uma enorme repercussão


A Professora Amanda Gurgel é entrevistada pela Globo News
Não posso deixar de comentar a fala articulada da Professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, que teve uma enorme repercussão por todo o Brasil.
Ela apresenta de forma clara uma situação emergencial, que é a questão salarial do professor e mostra o descaso pela educação no nosso país, e tem toda minha solidariedade.
Só gostaria de trazer a tona uma questão que acho interessante, que é a burrice da "oposição" em tratar temas essenciais como a educação, a saúde, a segurança pública, com políticas mal formuladas e incompetentes, dando munição para partidos "populares", como no caso do RN, governado pelo DEM e abrindo uma brecha dessas para possível derrota nas próximas eleições. É muita burrice mesmo. Depois não aceitam quando o Lula diz que é um partido que deve ser extirpado da sociedade brasileira.
A Professora Amanda Gurgel, pelo que vi, é filiada ao PSTU, e está com toda competência, falando a lingua do povo. Parabéns.
Mas na realidade, será que o problema inexiste nos estados vizinhos, governados pela "situação"? Também sabemos que o problema existe mesmo nos estados mais ricos da federação. No RN os professores estão em greve, por que não entram todos em greve no resto do país também? Pelo menos será feito um grande debate sobre o papel da educação  e sua importância para a construção de uma sociedade mais justa.
Ronaldo São Romão Sanches, e-mail: ronaldo.autonomista@gmail.com

terça-feira, 19 de abril de 2011

Como valorizar bibliotecas e atrair mais leitores

Os segredos das melhores bibliotecas.
Experiências bem-sucedidas pelo Brasil dão 11 ideias para valorizar bibliotecas e atrair mais leitores.
Fazer com que as bibliotecas tenham maior alcance e sejam disseminadoras do conhecimento é um desafio e tanto, mas, é possível, como mostram experiências bem-sucedidas pelo Brasil. Conheça a seguir algumas ações que contribuem para a valorização das bibliotecas e estimulam o prazer da leitura.
leia a matéria completa no site Educar para Crescer.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Banalização da barbárie

É inegável que se vive dias difíceis. A barbárie e a violência, em toda a sua plenitude, envolvem praticamente todas as sociedades do planeta —no Brasil, a barbárie é inegável e assustadora. As vítimas se contam aos milhares —lembra contagem de mortos e feridos em guerras. Ao se observar o quadro atual da violência urbana, muitas vezes os analistas não se atentam para os fatores que conduziram a tal situação.
Um dos fatores provocadores da violência, notadamente no Brasil, com certeza é o crescimento urbano. Por conta do acelerado processo de êxodo rural, as grandes e médias cidades brasileiras absorveram um número de pessoas extremamente elevado, que não foi acompanhado pelo crescimento da infraestrutura urbana (emprego, moradia, saúde, educação, qualificação, entre outros); fato que desencadeou uma enorme série de problemas sociais graves.
A violência urbana tem ocasionado a morte de milhares de pessoas todos os dias, notadamente jovens —no Brasil, a maioria dos que perecem em resultado da barbárie são jovens de menos de trinta anos— é o principal fator de mortandade dessa faixa etária.
É claro que criminalidade não é um privilégio exclusivo dos grandes centros urbanos do país. Entretanto, o seu crescimento é largamente maior do que em cidades menores. Com certeza porque é nas grandes cidades brasileiras que se concentram os principais problemas sociais, tais como desemprego, ausência de serviços públicos, além da ineficiência da segurança pública.
Tais problemas são determinantes para o estabelecimento e a ampliação da marginalidade e, consequentemente, da criminalidade que trás a violência. Os bairros periféricos e favelizados das principais cidades do país respondem por aproximadamente 35% da população brasileira. Nessas áreas, pelo menos a metade das mortes é provocada por causas violentas, como agressões e homicídios. Isso é explicado quando se depara com dados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde 21% de todas as mortes são provenientes de atos violentos. É a barbárie total.
Essa situação retrata a ineficiência do Estado, que não tem disponibilizado um serviço de segurança pública eficaz à sua população. Enquanto o poder do Estado não se impõe, o crime organizado se institui como um poder paralelo, que estabelece regras de ética e conduta própria, além de implantar fronteiras para a atuação de determinada facção criminosa.
Algumas cidades brasileiras apresentam um percentual de mortandade proveniente de atos de violência que equivale aos do Iraque ou outro país em guerra. O Brasil responde por 10% de todos os homicídios praticados no mundo, segundo dados de um estudo realizado a pedido do governo suíço, divulgado no ano de 2008, em Genebra.
No entanto, apesar da gravidade do problema, sente-se que falta vontade política no seu enfrentamento e, sobretudo, ideias que tenham uma dimensão prática que possam ser traduzidas em ações concretas. Há uma forte dicotomia entre duas vertentes: a dos direitos humanos e a da segurança pública, a ponto de o tema direitos humanos no Brasil com frequência ser associado, na opinião pública, a um discurso que ignora o problema da segurança e defende os bandidos e criminosos, sob alegação de motivos ideológicos.
A origem de tal oposição vem do fato de que a afirmação dos direitos humanos foi feita num momento em que o Estado, não só no Brasil, estava numa situação de totalitarismo, como o nazismo, ou com o socialismo totalitário; ou em situações de regimes militares, ditaduras. A afirmação dos direitos humanos era, pois, a afirmação de direitos, individuais ou de grupos, diante de uma autoridade do Estado.
É como se fosse a defesa do indivíduo e dos grupos contra um poder que vem de cima. Foi nesse contexto que tudo se formou, com base nas denúncias de prisões arbitrárias, de tortura, do abuso da autoridade e da violência. Os direitos humanos se formaram nesse contexto, de defesa de direitos dos indivíduos diante de um poder externo, um poder autoritário de Estado. É nessa posição que a temática dos direitos humanos se firmou na nossa memória recente da segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra.
O que se percebe, sobretudo nas comunidades pobres do Brasil e da América Latina, é que o fato de viverem em tamanha insegurança implica uma perda efetiva dos direitos básicos associados aos direitos humanos. Ou seja, numa situação de insegurança, as pessoas têm dificuldade de liberdade de expressão. Sabemos da prática da lei do silêncio, como é chamada, a qual resulta justamente da profunda insegurança em que as pessoas vivem.
Se alguém é violentado ou tem alguma pessoa próxima agredida hoje no Brasil, o mais comum é que as pessoas próximas, ou a família, perguntem-se e acabem concluindo que não é negócio, não faz sentido chamar a polícia e a Justiça para ajudar. A última coisa que se faz numa situação dessas é pegar o telefone e chamar a polícia.
Assim, engole-se a dor, o sofrimento, porque a chegada da polícia, da autoridade do Estado para enfrentar a situação só pioraria o quadro, traria mais insegurança ainda, mais risco. Ou seja, não é seguro apelar para a autoridade como instrumento de defesa do seu direito. Isso, inclusive, é fonte da dificuldade do trabalho de investigação.
O direito básico, elementar de recorrer à Justiça, e de reportar uma violência da qual se foi vítima está eliminado pela insegurança. O direito de associação, por sua vez, é muito complicado em condições de insegurança. Em muitos bairros, vê-se, até mesmo, dificuldade do chamado direito de ir e vir. Existe, dentro de algumas das grandes cidades brasileiras, comunidades que, em certos períodos, vivem uma realidade de Estado de Sítio. Quer dizer, há horário para voltar para casa correndo o mínimo de perigo possível.
O que está em jogo é recuperar um sentido de segurança que seja reconhecido, e, portanto, legitimado, como um princípio viabilizador dos direitos e do desenvolvimento. Dos direitos num sentido bem pleno, não apenas daquele direito mínimo do exercício da liberdade individual, mas num sentido maior, de propiciador da superação de conflitos e contradições que são geradores de violência. Não há dúvida de que há um trabalho a ser feito, e há muito espaço para a sociedade civil, a universidade, as ongs e as igrejas participarem dele.
Mas a questão da violência não é apenas social. Há o problema do indivíduo também. Nenhuma criação sobre a terra é mais violenta e cruel do que o ser humano. Há quase trezentos anos, o filósofo francês François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo de Voltaire, perguntava "o homem nasceu mau?" E completava com outra pergunta: "não parece demonstrado que o homem nasceu perverso e filho do demônio?".
Voltaire tinha sua resposta, que era uma negação: "se essa fosse sua natureza, cometeria atrocidades, perversidades logo que conseguisse caminhar; ele utilizaria a primeira faca que encontrasse para ferir qualquer um que não fosse do seu agrado". Para Voltaire, o ser humano não é intrinsecamente bom nem mau. O que o faz perverso é a educação, o exemplo, o governo sob o qual vive. Pode-se deduzir da teoria de Voltaire que o homem torna-se mau por causa das condições em que vive.
Em 1994, o historiador britânico Eric Hobsbawn proferiu palestra que intitulou de "Barbárie: manual do usuário", na qual dizia que havia dado o título "não porque deseje apresentar instruções sobre como ser bárbaro. Ninguém de nós, infelizmente, precisa disso, Barbárie não é algo como dança no gelo, uma técnica que precisa ser aprendida. (...) trata-se antes de um subproduto da vida em determinado contexto social e histórico, algo que vem com o território (...)".
Pode parecer pura abstração filosófica, mas o fenômeno da violência, da barbárie, está aí, presente no cotidiano da sociedade nas questões que mais banais: a delinqüência juvenil; os assassinatos motivados por roubos de pequenas quantias, objetos prosaicos ou mesmo por uma discussão com o motorista do táxi; o domínio do tráfico e quadrilhas semelhantes (onde o fator humano só conta como consumidor de drogas e meio de enriquecimento); a violência doméstica, que castiga principalmente crianças e mulheres. Numa realidade em que a vida humana vale menos que uma pataca, a tendência é a crescente banalização do mal e da barbárie.
O autor, Luca Maribondo é colunista do Campo Grande News. Artigo publicado dia 21/02/2011.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Tratamento formal

Ao receber o e-mail que gerou minha postagem anterior, tinha ficado contente em ver que o Juiz Alexandre Eduardo Scisinio tinha proferido a sentença com bom senso, contrária aos interesses absurdos do Requerente.
Depois fiquei pensando e se for mais uma dessas informações que surgem na internet? Será que é verdadeiro o ocorrido? Então dei-me ao trabalho de verificar a procedência, qual não foi minha surpresa ao ver que o Juiz reclamante, não satisfeito com a sentença, ingressou com Recurso no TJ-RJ. E olhem o lamentável resultado, pois, também considero que o tratamento "você" não é desrespeitoso com ninguém. Isso é de uma empáfia ridícula.
Ronaldo São Romão Sanches.

TJ-RJ manda porteiro e condôminos chamar juiz de ‘doutor’
A justiça do Rio de Janeiro determinou que o juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto deve ser chamado de “doutor”. A decisão do desembargador Gilberto Dutra foi divulgada neste domingo (7/11) pelo colunista Ricardo Boechat, do Jornal do Brasil.
Marreiros entrou com o pedido para obrigar o porteiro e os condôminos do prédio em que mora, em São Gonçalo, a usar o tal tratamento honorífico.
Ao conceder a liminar, o desembargador Dutra criticou o juízo de primeiro grau que não concedeu antecipação de tutela ao colega, chamando de "teratológica" a negativa. Segundo o andamento processual registrado no site do TJ, Marreiros, o agravante, não recolheu as custas para a intimação dos agravados.
O presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, Octávio Augusto Brandão Gomes, se disse estarrecido com a decisão. "Todos nós somos seres humanos”, afirmou Gomes. “Ninguém nessa vida é melhor do que o outro só porque ostenta um título, independente de ter o primeiro ou segundo grau completo ou curso superior", completou.
Leia o despacho do desembargador
"Vistos, etc. Tratando-se de magistrado, cuja preservação da dignidade e do decoro da função que exerce, e antes de ser direito do agravante, mas um dever e, verificando-se dos autos que o mesmo vem sofrendo, não somente em enorme desrespeito por parte de empregados subalternos do condomínio onde reside, mas também verdadeiros desacatos, mostra-se, data vênia, teratológica a decisão do juízo a quo ao indeferir a antecipação de tutela pretendida. Isto posto, defiro-a de plano. Oficie-se, inclusive solicitando as informações e indagando sobre o cumprimento do art. 526, do CPC. Intimem-se os agravados para contra-razoes, por carta."
Leia a declaração do presidente da OAB-RJ sobre a decisão
"É lamentável, em pleno século XXI e em pleno Estado Democrático de Direito, nos depararmos com um fato dessa natureza. A Constituição Federal é bem clara quando diz que todos são iguais perante a lei, não devendo existir distinção entre raças, sexo, cor ou religião. Também não deve haver distinção por status.
“Todos nós somos seres humanos. Ninguém nessa vida é melhor do que o outro só porque ostenta um título, independente de ter o primeiro ou segundo grau completo ou curso superior.
“Todos temos a obrigação de nos tratarmos com urbanidade e respeito. Os carentes, os injustiçados, que hoje estão ao largo da sociedade porque muitas vezes sequer têm um prato de comida, esses sim deveriam receber uma atenção especial.
“Quando vejo ser feita uma exigência esdrúxula como essa, paro e me questiono: será que não existem coisas mais importantes para este senhor pensar e realizar? Será que a Justiça não tem processos a julgar, será que eles estão todos em dia? Será que existem juízes que estão com as sentenças todas em dia? Isso vem a demonstrar que não existe realmente uma preocupação com o Estado Democrático de Direito, com um respeito para com o ser humano.
“É lamentável ver um pedido esdrúxulo como esse e, mais lamentável ainda, é que um pedido desse tenha sido deferido pela Justiça. Uma decisão dessa nos deixa estarrecidos e perplexos". 
* Extraído do site Consultor Jurídico.

"Você" ou "Doutor" ? Ou seria Vossa Excelência ?

Juiz entrou na Justiça contra o Condomínio que mora, devido ao tratamento de "Você" dado pelo Porteiro.
Segue abaixo a sentença do Juiz Alexandre Eduardo Scisinio, uma verdadeira aula de Direito e Português, em bela redação, bem articulada e até solidária ao requerente.
Nota 1000 ao  Juiz Alexandre Eduardo Scisinio.

Processo distribuido em 17/02/2005, na  9ª  vara cível de Niterói - RJ

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - COMARCA DE NITERÓI - NONA VARA CÍVEL
Processo n° 2005.002.003424- 4
S E N T E N Ç A
Cuidam-se os autos de ação de obrigação de fazer manejada por ANTONIO MARREIROS DA SILVA MELO NETO contra o CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO LUÍZA VILLAGE e JEANETTE GRANATO, alegando o autor fatos precedentes ocorridos no interior do prédio que o levaram a pedir que fosse tratado formalmente de "senhor".
Disse o requerente que sofreu danos, e que esperava a procedência do pedido inicial para dar a ele autor e suas visitas o tratamento de "Doutor, senhor"  "Doutora, senhora", sob pena de multa diária a ser fixada judicialmente, bem como requereu a condenação dos réus em dano moral não inferior a 100 salários mínimos. (...)
DECIDO: "O problema do fundamento de um direito apresenta-se diferentemente conforme se trate de buscar o fundamento de um direito que se tem ou de um direito que se gostaria de ter." (Noberto Bobbio, in "A Era dos Direitos", Editora Campus, pg. 15).
Trata-se o autor de Juiz digno, merecendo todo o respeito deste sentenciante e de todas as demais pessoas da sociedade, não se justificando tamanha publicidade que tomou este processo. 
Agiu o requerente como jurisdicionado, na crença de seu direito.
Plausível sua conduta, na medida em que atribuiu ao Estado a solução do conflito.
Não deseja o ilustre Juiz tola bajulice, nem esta ação pode ter conotação de incompreensível futilidade. 
O cerne do inconformismo é de cunho eminentemente subjetivo, e ninguém, a não ser o próprio autor, sente tal dor, e este sentenciante bem compreende o que tanto incomoda o probo Requerente.
Está claro que não quer, nem nunca quis o autor, impor medo de autoridade, ou que lhe dediquem cumprimento laudatório, posto que é homem de notada grandeza e virtude. Entretanto, entendo que não lhe assiste razão jurídica na pretensão deduzida.
"Doutor" não é forma de tratamento, e sim título acadêmico utilizado apenas quando se apresenta tese a uma banca e esta a julga merecedora de um doutoramento. 
Emprega-se apenas às pessoas que tenham tal grau, e mesmo assim no meio universitário. 
Constitui-se mera tradição referir-se a outras pessoas de 'doutor', sem o ser, e fora do meio acadêmico.
Daí a expressão doutor honoris causa - para a honra -, que se trata de título conferido por uma universidade à guisa e homenagem a determinada pessoa, sem submetê-la a exame.
Por outro lado, vale lembrar que "professor" e "mestre" são títulos exclusivos dos que se dedicam ao magistério, após concluído o curso de mestrado. 
Embora a expressão "senhor" confira a desejada formalidade às comunicações - não é pronome -, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha  obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir.
O empregado que se refere ao autor por "você", pode estar sendo cortês, posto que "você" não é pronome depreciativo. Isso é formalidade, decorrente do estilo de fala, sem quebra de hierarquia ou incidência de insubordinação. 
Fala-se segundo sua classe social. O brasileiro tem tendência na variedade coloquial relaxada, em especial a classe "semi-culta" , que sequer se importa com isso.
Na verdade "você" é variante - contração da alocução - do tratamento respeitoso "Vossa Mercê".  A professora de Linguística Eliana Pitombo Teixeira ensina que os textos literários que apresentam altas freqüências do pronome "você", devem ser classificados como formais.
Em qualquer lugar desse país, é usual as pessoas serem chamadas de "seu" ou "dona", e isso é tratamento formal.
Em recente pesquisa universitária, constatou-se que o simples uso do nome da pessoa substitui o senhor/a senhora e você quando usados como prenome, isso porque soa como pejorativo tratamento diferente. 
Na edição promovida por Jorge Amado "Crônica de Viver Baiano Seiscentista", nos poemas de Gregório de Matos, destacou o escritor que Miércio Táti anotara que "você" é tratamento cerimonioso. (Rio de Janeiro, São Paulo, Record, 1999).
Urge ressaltar que tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico, como já se disse. 
A própria Presidência da República fez publicar Manual de Redação instituindo o protocolo interno entre os demais Poderes. 
Mas na relação social não há ritual litúrgico a ser obedecido. Por isso que se diz que a alternância de "você" e "senhor" traduz-se numa questão sociolingüística, de difícil equação num país como o Brasil de várias influências regionais.
Ao Judiciário não compete decidir sobre a relação de educação, etiqueta, cortesia ou coisas do gênero, a ser estabelecida entre o empregado do condomínio e o condômino, posto que isso é tema interna corpore daquela própria comunidade.
Isto posto, por estar convicto de que inexiste direito a ser agasalhado, mesmo que lamentando o incômodo pessoal experimentado pelo ilustre autor, julgo improcedente o pedido inicial, condenando o postulante no pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa. P.R.I. Niterói, 2 de maio de 2005.
ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO
Juiz de Direito

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Falta de profissionais médicos, um problema nacional.

Recebi um e-mail de um amigo (Antônio Jésus, de Viçosa-MG) em uma lista de discussão que participo (TNS-BR, das Instituições Federais de Ensino), cujo assunto me chamou a atenção. É uma reportagem feita pela Fernanda Nogueira, do G1, em torno do Censo do Ensino Superior divulgado pelo Ministério da Educação em dezembro do ano passado, que trata da evasão de alunos de cursos superiores, com uma excelente abordagem do assunto pelo Pesquisador Oscar Hipólito, do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia e ex-diretor do Instituto de Física do Campus São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, a reportagem traz um link interessante sobre os dez cursos de graduação com maior número de alunos no país, destacando-se administração, direito, pedagogia e engenharia, do avanço dos cursos de graduação a distância com destaque para administração e pedagogia. 
Estava meio corrido, e achei complicado acessar o Censo do Ensino Superior em busca de mais detalhes. Estou tentando ver onde está a posição dos cursos de Medicina num levantamento desses.
Acredito que a Saúde do país não funciona a contento, visto termos que arcar com custos elevados dos Planos de Saúde, pois quem depender apenas do SUS na maior parte dos casos estará em apuros, e uma das causas do problema é a falta de mão de obra médica.
Acho que tem dois caminhos para solucionar o problema da mão de obra médica, e ambos vão encontrar pela frente um lobby muito forte da classe médica a se opor.
Abertura de novos cursos (com qualidade) ou a permissão para atividade médica no país, de profissionais estrangeiros, a exemplo do que fez Portugal com os dentistas, já que naquele país quase que se tinha que vender um carro ou outro bem de valor para pagar tratamento dentário, e muitos dentistas brasileiros foram trabalhar lá. Não sei qual a situação hoje em dia a esse respeito.
Lembro que há um tempo atrás, o Estado do Tocantins abriu vagas para médicos cubanos trabalharem, já que não se conseguia recrutar médicos brasileiros que se interessassem na rede estadual de saúde, mesmo com salários atraentes. Resultado, entidades de classe "expulsaram" do país os médicos cubanos, acusando-os de profissionais com baixa qualificação.
Um dos gargalos ao tratarmos da saúde no Brasil é a falta de mão de obra de profissionais médicos, sendo assim, duas alternativas devem ser  consideradas pela administração pública, abre-se mais cursos de medicina ou importa-se mão de obra. Qual a sua opinião?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

J’ACUSE !!! (Eu acuso !) Tributo ao Professor Kássio Vinícius Castro Gomes

Os descaminhos... cuidem daqueles que herdarão o que está sendo legado.
Quem sabe possamos reverter este quadro. Há que se ter boa vontade e AÇÃO.
Há que se trabalhar com a infância e juventude, dar-lhes a possibilidade de sonhar.
De teor forte e polêmico, este texto serve para reflexão sobre a situação da educação brasileira.


J’ACUSE !!! (Eu acuso !) Tributo ao Professor Kássio Vinícius Castro Gomes

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola)


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).
A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro.
O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares.
Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de  convivência supostamente democrática.
No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...
E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”
Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...
Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.
Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar.
Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:
EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;
EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;
EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;
EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”;
EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;
EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;
EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;
EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;
EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;
EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e  do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;
EU ACUSO os  “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,
EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;
EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.
EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;
EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;
Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.
Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”.
A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”
Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.
Igor Pantuzza Wildmann é Advogado, Doutor em Direito, Professor universitário.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mestrado Profissional ou Acadêmico?

Interessante a notícia anexa, pois a gente percebe a possibilidade imensa da  modalidade semipresencial na qualificação das pessoas de uma forma geral, num país cujo segmento "educação" deve crescer a altas taxas por um bom tempo, inclusive para pensarmos de forma mais concreta para viabilização dessa modalidade também na qualificação de servidores da área técnica e administrativa com lotação nas instituições de ensino.
Por outro lado, tenho algumas dúvidas sobre um Mestrado Profissional e aí gostaria que colegas opinassem também. Vejo incoerência em qualificar um Professor ou quem quer que seja em Mestrado Profissional.  Como fica isso, um Mestre Profissional não habilitado para trabalhar na área acadêmica? Seria algo entre Mestrado e Especialização Lato Sensu? De toda forma, fica esquisito, é como se criasse a figura de um Professor de Segunda Classe, ou então alguém que fizesse, estaria em desvantagem ao entrar no Magistério Superior como Mestre. Ou não existiria essa restrição? É caso de se pensar  ao optar por fazê-lo. É como vejo algumas pessoas da minha área discutindo sobre Mestrado Profissional em Administração. Então pergunto -Isso é para substituir o consagrado MBA? De onde vem essas "brilhantes" idéias?
Por que não o Mestrado Acadêmico semipresencial? Sem distinção do 100% presencial em termos de valorização. É Mestrado e pronto. É aí que entra a crítica. A gente vê estruturas acadêmicas montadas, tentando massificar o ensino de graduação, mas falta a boa vontade para qualificar os interessados em seguir carreira acadêmica. Minha opinião é que existe um componente corporativo, extremamente prejudicial ao desenvolvimento do ensino como também da pesquisa no nosso país, e que deve ser urgentemente debatido, de forma ampla e democrática.
Ronaldo São Romão Sanches, administrador, MBA em Planejamento e Gestão Estratégica, e-mail: ronaldo.autonomista@gmail.com
19/1/2011
Agência FAPESP – O Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), curso semipresencial coordenado pela Sociedade Brasileira de Matemática, está com inscrições abertas para processo seletivo até 31 de janeiro.
O Profmat é um curso de pós-graduação stricto sensu para o aprimoramento da formação profissional de professores da educação básica. Curso de oferta nacional, ele é realizado por uma rede de instituições de ensino superior e tem como objetivo atender professores de matemática de ensino básico, com prioridade para os da rede pública.
O Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional é aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e está inserido no projeto Universidade Aberta do Brasil, do Ministério da Educação. O curso tem duração de dois anos, com aulas presenciais e atividades a distância.
Devido à abrangência nacional do projeto o Profmat envolve 57 instituições em 25 estados. Nesta etapa, os institutos de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), em Rio Claro, e o de Biociências e Ciências Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto, ambos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), servirão de base para as atividades do mestrado.
Ao todo, são 100 vagas disponíveis nos dois institutos (50 para cada unidade).
Mais informações e inscrições: www.profmat-sbm.org.br/default.asp

domingo, 20 de dezembro de 2009

Intercâmbio para os EUA

Achei interessante a divulgação de dados, relativos a estudantes de diversos países que vão estudar em universidades americanas. Observem a posição do Brasil e de países emergentes como China e Índia, bem como Coréia do Sul e Taiwan.